Os trabalhadores tem muito a aprender, mas não podemos negar que apontaram a seta do governo na direção de deixar de ser colônia extrativista. Isto já surtiu efeito no enfrentamento da última crise mundial, se o país estivesse com o modelo econômico anterior teria quebrado, isto foi dito por todos os segmentos da mídia (fora do contexto partidário) antes do processo da campanha política.
Se o governo não tivesse aberto agressivamente novos mercados com economias emergentes os efeitos seriam devastadores, isto é sério, e só aconteceu porque a direção foi mudada, as bases econômicas do governo FHC foram aproveitadas até um certo ponto, mas se não mudasse a estratégia, o Brasil teria quebrado como ocorreu nas outras crises.
A aposta no mercado exterior emergente e no mercado interno, via inclusão social, é reconhecido no mundo inteiro como uma grande sacada deste governo que salvou o país de um grande desastre.
O interessante é que foi apenas uma questão de auto estima, por incrível que pareça, o governo Lula adotou a estratégia nacionalista dos governos militares e deu certo. O que aflige o pessoal que governou nas décadas passadas é que o novo posicionamento foi ideológico, deu certo, o país se protegeu e cresceu. A fome, a miséria, as desigualdades não seriam resolvidos em oito anos, basta um pouquinho de bom senso pra enxergar isto.
A priorização no resgate dos pobres via programas de renda mínima e estímulo ao micro-crédito, o aumento em "dólar" de mais de 300% no salário mínimo, entre outras medidas, foram fundamentais para reduzir as desigualdades, irrigar de forma bem pulverizada a economia com dinheiro que gera emprego e germinou o ciclo virtuoso da economia.
Com o aproveitamento e o aperfeiçoamento das bases econômicas bastou a decisão política de acreditar que podemos sonhar em deixar de ser colônia extrativista.
Ainda estamos longe, não temos estradas, portos, aeroportos, escolaridade, sistema de saúde, centros de pesquisa, universidades qualificadas, mas para que possamos ter um dia todas estas coisas é preciso que tomemos a decisão política de apostar no Brasil, no trabalhador do Brasil, no empreendedor brasileiro, na distribuição de renda via salários dignos, no ciclo virtuoso do bom capitalismo, e esta decisão foi tomada neste governo.
Nesta decisão de política nacionalista, deflagrou-se um programa de investimento maciço em infraestrutura de longo prazo, que só vai repercutir em oito ou dez anos, visando viabilizar o desenvolvimento do país (reindustrialização nacional, agrobusiness, infraestrutura, geração de energia, etc), o programa de aceleração do crescimento, PAC, representando mais uma vez a aposta no Brasil, deu certo, o iluminado Lula novamente pontuou onde os tucanos falharam.
Quando a crise do primeiro mundo chegou o ciclo virtuoso se tornara auto-sustentável. O capital produtivo já havia apostado no Brasil e o país já se mostrava como uma decisão acertada.
Em todas estas frentes estratégicas, o governo anterior apostou que as multinacionais tomariam nossas frentes produtivas sem interferência do estado, via privatização, etc, e gerariam novos empregos porque os trabalhadores venderiam sua mão-de-obra barato e os recursos naturais estariam a sua mercê para extrair e produzir fartos lucros.
Ledo engano, as multis são fiéis às suas origens, seu compromisso é de envio dos fartos lucros para as matrizes. Esta decisão estratégica errada estava transformando o país em quintal extrativista do mundo, deixando os industriais locais à margem do processo, com a maioria da população condenada ao sub desenvolvimento enquanto uma minoria fazia compras nos shoppings de New York e Londres.
O mundo desenvolvido antes de ser o que é passou por decisões estratégicas de governo, as coisas não acontecem sozinhas. Esta foi a direção errada do governo anterior, acreditar que o lobo seria o melhor guardião do galinheiro e não apostar na capacidade do empreendedor e do trabalhador brasileiro.
Os trabalhadores tem muito a aprender e isto ficou evidente nos poucos anos de poder, mas os neocapitalistas de visão curta estiveram no poder a vida inteira e já mostraram muito bem o modelo de sociedade que desejam. Prefiro levar meu cavalo manco para a fonte do que seguir de puro-sangue pro deserto.
*Antonio Ermírio de Moraes, presidente do Conselho de Administração do Grupo Votorantim.
CORDEL DO VENTO ENCANTADO
Amigo(a)s,
Recebi esse presente do lendário militante da esquerda sergipana, Milton Coelho. É um cordel feito pelo não menos lendário Padre Reginaldo Veloso. Representante de uma igreja realmente preocupada com a libertação dos pobres, Pe. Reginaldo segue vivo e ativo a sua peregrinação.
Vamos ao cordel:
CORDEL DO VENTO ENCANTADO
Ouví um Vento Encantado
A soprar feito um Espírito,
Convocando todo o povo
Para um combate previsto...
Quem não ouve o seu chamado,
Pode ser crente ou beato,
Nunca entendeu JESUS CRISTO!
Faz oito anos, insisto,
Que esse Vento sopra forte,
Mostrando que o Caminho
A rumar de sul a norte
É do REINADO DA VIDA:
Chegou pra gente sofrida
O fim do reino da morte!
LULA, Estrela da sorte,
No horizonte avermelhou,
E o Vento inverteu os rumos,
E o pobre bafejou...
Finalmente, alguém da gente,
Operário consciente,
À Presidência chegou!
Oito anos, quem não notou
Que as coisas muito mudaram,
Que a miséria é redimida,
Empregos multiplicaram,
O Nordeste iluminou-se,
Pernambuco levantou-se
E os apagados brilharam?...
E assim, todos lucraram,
Quando melhorou pro pobre:
Dobrado o salário mínimo,
Muita frieza se cobre,
Muita fome se alimenta,
Muito fraco se sustenta,
Cresce um Ser Humano nobre!
Quem nunca viu já descobre
Que outro Mundo é possível
E agora chegou a hora
De acreditar no incrível:
Uma MULHER PRESIDENTE
Levando o Brasil pra gente,
Nada mais é impossível!
Uma só coisa é temível:
Desfazer o que foi feito,
Subir o SERRA DO MAL,
Onde o Bem não leva jeito,
Deixar perder-se o Progresso,
Preferir o retrocesso,
Negar do pobre o Direito!
Seguir o Vento é perfeito:
Vote em DILMA com firmeza
Pra ver o PAC avançar,
Trabalho e Pão na mesa,
Minha Casa, minha Vida,
Ver nossa gente excluída
Desfrutando da riqueza!
No rumo da correnteza
Do Progresso que eclodiu,
O País prestigiado,
Qual o Mundo nunca viu,
Com DILMA vamos em frente,
De mãos dadas toda a gente,
Viva o Povo do BRASIL!
Padre REGINALDO VELOSO,
Presbítero das Comunidades Eclesiais de Base - CEBs Assistente Regional do Movimento de Trabalhadores Cristãos MTC (ACO) Assessor do Movimento de Adolescentes e Crianças MAC Assessor do Grupo de Animação Cultural – GA.
Recebi esse presente do lendário militante da esquerda sergipana, Milton Coelho. É um cordel feito pelo não menos lendário Padre Reginaldo Veloso. Representante de uma igreja realmente preocupada com a libertação dos pobres, Pe. Reginaldo segue vivo e ativo a sua peregrinação.
Vamos ao cordel:
CORDEL DO VENTO ENCANTADO
Ouví um Vento Encantado
A soprar feito um Espírito,
Convocando todo o povo
Para um combate previsto...
Quem não ouve o seu chamado,
Pode ser crente ou beato,
Nunca entendeu JESUS CRISTO!
Faz oito anos, insisto,
Que esse Vento sopra forte,
Mostrando que o Caminho
A rumar de sul a norte
É do REINADO DA VIDA:
Chegou pra gente sofrida
O fim do reino da morte!
LULA, Estrela da sorte,
No horizonte avermelhou,
E o Vento inverteu os rumos,
E o pobre bafejou...
Finalmente, alguém da gente,
Operário consciente,
À Presidência chegou!
Oito anos, quem não notou
Que as coisas muito mudaram,
Que a miséria é redimida,
Empregos multiplicaram,
O Nordeste iluminou-se,
Pernambuco levantou-se
E os apagados brilharam?...
E assim, todos lucraram,
Quando melhorou pro pobre:
Dobrado o salário mínimo,
Muita frieza se cobre,
Muita fome se alimenta,
Muito fraco se sustenta,
Cresce um Ser Humano nobre!
Quem nunca viu já descobre
Que outro Mundo é possível
E agora chegou a hora
De acreditar no incrível:
Uma MULHER PRESIDENTE
Levando o Brasil pra gente,
Nada mais é impossível!
Uma só coisa é temível:
Desfazer o que foi feito,
Subir o SERRA DO MAL,
Onde o Bem não leva jeito,
Deixar perder-se o Progresso,
Preferir o retrocesso,
Negar do pobre o Direito!
Seguir o Vento é perfeito:
Vote em DILMA com firmeza
Pra ver o PAC avançar,
Trabalho e Pão na mesa,
Minha Casa, minha Vida,
Ver nossa gente excluída
Desfrutando da riqueza!
No rumo da correnteza
Do Progresso que eclodiu,
O País prestigiado,
Qual o Mundo nunca viu,
Com DILMA vamos em frente,
De mãos dadas toda a gente,
Viva o Povo do BRASIL!
Padre REGINALDO VELOSO,
Presbítero das Comunidades Eclesiais de Base - CEBs Assistente Regional do Movimento de Trabalhadores Cristãos MTC (ACO) Assessor do Movimento de Adolescentes e Crianças MAC Assessor do Grupo de Animação Cultural – GA.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
0 comentáriosAlçapão para pegar Sanhaço
Vou lhe ensinar como se arma um alçapão para pegar Sanhaço. Será preciso que o dia amanheça pianinho no quintal. A luz dele toda de mansinho galgando os potes de guardar água de chuva, o beiral se desenhado no chão como um relógio de areia se cumprindo lento. É hora. Cuidemos de arrumar no alforje as balas de celão para o badogue, um pedaço de jabá roubado da cozinha e a coité de farinha. Vou dizer... leve um fitilho de São Francisco - apetrecho essencial para quem crê que Deus acorda cedo e não terá nada melhor a fazer nesta mahã do que armar um alçapão para ganhar Sanhaço.
No meio do quintal, já comprido demais para o nosso alcance, reina o mamoeiro pejadinho de frutos. Uns peitões amarelos sensuais e belos, a natureza aguardando madura a bicada dos pássaros. Mamão é assim, um alimento sensual, essencial à natureza inteira. É ele lá se oferecendo e nós cá, armando a pegação de um Sanhaço.
Temos o Alçapão, uma gaiola de nada, feita de cipós macios e palitos de dicurizeira, onde uma tira de pneu de bicicleta e um pedaço de banana prata armam a armadilha: o Sanhaço vem e pou!... prisioneiro.
Pois bem: Sanhaço é bicho besta, não vale nada na feira porque nem canta nem faz gracinha, ninguém chega em sua casa e diz: Há, você tem um sanhaço na gaiola! Não vale nem pra dizer eu tenho um sanhaço gordo, qualquer dia asso ele pra nós, com farofa e guaraná.É pasarinho mirradinho de peito, não enche o buraco do dente. Então, pra que?
- Para me encher esta manhã de infância.
Amaral Cavalcante 14/07/2010.
No meio do quintal, já comprido demais para o nosso alcance, reina o mamoeiro pejadinho de frutos. Uns peitões amarelos sensuais e belos, a natureza aguardando madura a bicada dos pássaros. Mamão é assim, um alimento sensual, essencial à natureza inteira. É ele lá se oferecendo e nós cá, armando a pegação de um Sanhaço.
Temos o Alçapão, uma gaiola de nada, feita de cipós macios e palitos de dicurizeira, onde uma tira de pneu de bicicleta e um pedaço de banana prata armam a armadilha: o Sanhaço vem e pou!... prisioneiro.
Pois bem: Sanhaço é bicho besta, não vale nada na feira porque nem canta nem faz gracinha, ninguém chega em sua casa e diz: Há, você tem um sanhaço na gaiola! Não vale nem pra dizer eu tenho um sanhaço gordo, qualquer dia asso ele pra nós, com farofa e guaraná.É pasarinho mirradinho de peito, não enche o buraco do dente. Então, pra que?
- Para me encher esta manhã de infância.
Amaral Cavalcante 14/07/2010.
Serra, mais uma vez, implica com jornalista
Em visita a São Luís, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, deixou bem claro que o seu calcanhar de aquiles, nesta disputa eleitoral, será reverter a sua baixa popularidade na região Nordeste, ao contrário da candidata Dilma Rousseff (PT), com as bênçãos do presidente Lula.
Durante entrevista coletiva à imprensa, na sede da rádio Capital AM, de propriedade do deputado federal Roberto Rocha (PSDB), o presidenciável José Serra chegou a se irritar com uma pergunta deste blogueiro sobre como o candidato faria para reverter essa alta impopularidade no Nordeste, dando como exemplo o Maranhão.
Mostrando-se irritado com o questionamento, José Serra chegou a interromper minha pergunta ao me questionar para qual veículo de comunicação eu trabalhava. Disse que eu estava gravando para a Rádio Mirante AM. Automaticamente, ele me interpelou dizendo: “essa não é a rádio do Sarney?”
Logo em seguida, bastante incomodado pelo teor da pergunta, o candidato tucano procurou minimizar sua impopularidade no Nordeste em relação à sua adversária petista, fato que vem sendo mostrado pela imprensa e mídia nacional.
“Eu não sei aonde você viu isso. Vamos fazer uma coisa, você quer fazer propaganda pra Dilma? Eu acho legítimo que sua rádio e você faça campanha para Dilma. Não tenho nada a me opor. Agora não venha falar mentira. Tudo bem, faz a campanha direto (pra Dilma)”, disse irritado José Serra.
Pelo visto, a vinda à capital maranhense revelou uma outra face do candidato tucano. O medo de responder perguntas que lhe mostram a sua real impopularidade e falta de carisma numa região que até bem pouco tempo atrás ficou renegada ao pó do chinelo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), seu tutor político.
Fontes: Blog do Mario Carvalho e Viomundo
Durante entrevista coletiva à imprensa, na sede da rádio Capital AM, de propriedade do deputado federal Roberto Rocha (PSDB), o presidenciável José Serra chegou a se irritar com uma pergunta deste blogueiro sobre como o candidato faria para reverter essa alta impopularidade no Nordeste, dando como exemplo o Maranhão.
Mostrando-se irritado com o questionamento, José Serra chegou a interromper minha pergunta ao me questionar para qual veículo de comunicação eu trabalhava. Disse que eu estava gravando para a Rádio Mirante AM. Automaticamente, ele me interpelou dizendo: “essa não é a rádio do Sarney?”
Logo em seguida, bastante incomodado pelo teor da pergunta, o candidato tucano procurou minimizar sua impopularidade no Nordeste em relação à sua adversária petista, fato que vem sendo mostrado pela imprensa e mídia nacional.
“Eu não sei aonde você viu isso. Vamos fazer uma coisa, você quer fazer propaganda pra Dilma? Eu acho legítimo que sua rádio e você faça campanha para Dilma. Não tenho nada a me opor. Agora não venha falar mentira. Tudo bem, faz a campanha direto (pra Dilma)”, disse irritado José Serra.
Pelo visto, a vinda à capital maranhense revelou uma outra face do candidato tucano. O medo de responder perguntas que lhe mostram a sua real impopularidade e falta de carisma numa região que até bem pouco tempo atrás ficou renegada ao pó do chinelo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), seu tutor político.
Fontes: Blog do Mario Carvalho e Viomundo
Dilma na frente em Pernambuco e Tocantins
A pesquisa de intenção de votos divulgada pelo Instituto Maurício de Nassau, nesta quarta-feira (14), mostra uma ampla vantagem em Pernambuco para a candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT). A petista obteve, na pesquisa estimulada, 52% das intenções de votos, contra 23% de José Serra (PSDB) e 4% para Marina Silva (PV). A soma dos demais candidatos é de 1% apenas. 9% disseram votar em branco ou nulo, 10% não sabem ou não responderam.
Na pesquisa espontânea, onde não são apresentadas opções de candidatos para os entrevistados, Dilma Rousseff obteve 49% das intenções de votos. Serra é citado por 19% dos eleitores e Marina por 3%. Lula ainda é “votado” por 7% dos pesquisados. Brancos e nulos, 5% e 15% não sabem ou não responderam.
Na corrida pelo governo de Pernambuco, o instituto aponta, mais uma vez, a liderança do governador e candidato à reeleição, Eduardo Campos (PSB), com 47,8%. O segundo colocado e principal adversário de Campos, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) apresenta 25,9% de preferência dos eleitores. Os demais candidatos somados têm 1,5% das intenções de votos. 9,8% dos eleitores votariam em branco ou nulo, e 15% não sabem ou não responderam.
Na pesquisa espontânea, Eduardo Campos também aparece na frente, com 42% das intenções de votos. Jarbas Vasconcelos é citado por 31% e os demais candidatos, somados, alcançam 3%. Brancos e Nulos são 7% e 28% não responderam ou não sabem em quem vão votar.
Para o Senado, quando a questão faz referência à primeira vaga, o candidato Humberto Costa (PT) é citado por 21% dos entrevistados, seguido do candidato à reeleição, Marco Maciel (DEM), com 20%. Armando Monteiro Neto (PTB) é lembrado por 12% do eleitorado e Raul Jungmann apresenta 3% das intenções de votos. Os demais candidatos, somados, têm 2% apenas. 13% votariam em branco ou nulo e 29% não sabem ou não responderam.
Quando a questão remete-se à segunda vaga para o Senado, Humberto Costa aparece mais uma vez como o preferido, com 16%. Marco Maciel registra 13% das intenções de voto, Armando Monteiro Neto é citado por 12% e Raul Jungmann soma apenas 4%. Brancos e Nulos são 18% e 33% não sabem ou não responderam.
A pesquisa do Instituto Maurício de Nassau foi registrada junto à Justiça Eleitoral sob os números: 29753/2010 no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) e 18540/2010 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram realizadas 2,5 mil entrevistas entre 7 e 8 de julho. Os dados têm um nível estimado de 95% de confiança e a margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.
Com 44,46 % das intenções de votos, Dilma lidera disputa presidencial no Tocantins
Pesquisa realizada pelo Instituto Stylo de Comunicação (Promotion-Editora Eventos e Promoções Ltda) divulgada nesta quarta feira,14, mostra que a candidata à presidência da Republica, Dilma Rousseff (PT), lidera as intenções de votos no Tocantins.
Na pesquisa, a candidata petista ficou em primeiro lugar com a preferência de 44,46% dos eleitores, contra 24,22% de José Serra (PSDB) e 8,02% de Marina Silva (PV)
Registrada no último dia 7 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 10 deste mês. Foram ouvidos 1.309 eleitores de diferentes regiões do estado.
As entrevistas foram realizadas de forma individual, com a aplicação de questionário estruturado e os resultados obtidos serão representativos de diferentes regiões do Estado. A pesquisa considerou as seguintes variáveis: sexo, faixa etária, grau de instrução e nível econômico (renda familiar média) dos entrevistados.
Os dados obtidos permitem fazer inferência estatística para todo o Estado, uma vez que a amostra aleatória obtida representa o universo de eleitores de várias regiões.
Fontes: Terra, Portal Stylo e Viomundo.
Na pesquisa espontânea, onde não são apresentadas opções de candidatos para os entrevistados, Dilma Rousseff obteve 49% das intenções de votos. Serra é citado por 19% dos eleitores e Marina por 3%. Lula ainda é “votado” por 7% dos pesquisados. Brancos e nulos, 5% e 15% não sabem ou não responderam.
Na corrida pelo governo de Pernambuco, o instituto aponta, mais uma vez, a liderança do governador e candidato à reeleição, Eduardo Campos (PSB), com 47,8%. O segundo colocado e principal adversário de Campos, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) apresenta 25,9% de preferência dos eleitores. Os demais candidatos somados têm 1,5% das intenções de votos. 9,8% dos eleitores votariam em branco ou nulo, e 15% não sabem ou não responderam.
Na pesquisa espontânea, Eduardo Campos também aparece na frente, com 42% das intenções de votos. Jarbas Vasconcelos é citado por 31% e os demais candidatos, somados, alcançam 3%. Brancos e Nulos são 7% e 28% não responderam ou não sabem em quem vão votar.
Para o Senado, quando a questão faz referência à primeira vaga, o candidato Humberto Costa (PT) é citado por 21% dos entrevistados, seguido do candidato à reeleição, Marco Maciel (DEM), com 20%. Armando Monteiro Neto (PTB) é lembrado por 12% do eleitorado e Raul Jungmann apresenta 3% das intenções de votos. Os demais candidatos, somados, têm 2% apenas. 13% votariam em branco ou nulo e 29% não sabem ou não responderam.
Quando a questão remete-se à segunda vaga para o Senado, Humberto Costa aparece mais uma vez como o preferido, com 16%. Marco Maciel registra 13% das intenções de voto, Armando Monteiro Neto é citado por 12% e Raul Jungmann soma apenas 4%. Brancos e Nulos são 18% e 33% não sabem ou não responderam.
A pesquisa do Instituto Maurício de Nassau foi registrada junto à Justiça Eleitoral sob os números: 29753/2010 no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) e 18540/2010 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram realizadas 2,5 mil entrevistas entre 7 e 8 de julho. Os dados têm um nível estimado de 95% de confiança e a margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.
Com 44,46 % das intenções de votos, Dilma lidera disputa presidencial no Tocantins
Pesquisa realizada pelo Instituto Stylo de Comunicação (Promotion-Editora Eventos e Promoções Ltda) divulgada nesta quarta feira,14, mostra que a candidata à presidência da Republica, Dilma Rousseff (PT), lidera as intenções de votos no Tocantins.
Na pesquisa, a candidata petista ficou em primeiro lugar com a preferência de 44,46% dos eleitores, contra 24,22% de José Serra (PSDB) e 8,02% de Marina Silva (PV)
Registrada no último dia 7 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 10 deste mês. Foram ouvidos 1.309 eleitores de diferentes regiões do estado.
As entrevistas foram realizadas de forma individual, com a aplicação de questionário estruturado e os resultados obtidos serão representativos de diferentes regiões do Estado. A pesquisa considerou as seguintes variáveis: sexo, faixa etária, grau de instrução e nível econômico (renda familiar média) dos entrevistados.
Os dados obtidos permitem fazer inferência estatística para todo o Estado, uma vez que a amostra aleatória obtida representa o universo de eleitores de várias regiões.
Fontes: Terra, Portal Stylo e Viomundo.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
0 comentáriosLula no El Pais
Por Juan Luis Cebrián, no El Pais
Traduzido por Miguel do Rosário, do Óleo do Diabo
“Tem que mudar a ONU. Se continuar assim não servirá à governança mundial.”
“Prefiro carnaval à guerra.” Pousa sua mão de operário sobre meu joelho, num gesto de cumplicidade, de camaradagem, de evidente franqueza, porque essa é a sua força e a sua convicção, a de comportar-se como é, como verdadeiramente lhe vêem os brasileiros, “sou um deles, um como eles”, vem de onde eles vêm, fala como eles falam, “não sou um estranho no ninho”, e até chegar ao poder se vestiu como eles se vestem, “ainda que trabalhei durante vinte e sete anos com um macacão, nunca me senti à vontade; com dois meses de gravata não tive dificuldade em acostumar-me a ela, é um belo adereço”. Me vêm à mente a reflexão de Sancho Panza sobre como será seu reinado sobre uma ilha, “vistam-me como quiserem, que de qualquer maneira que esteja vestido serei Sancho Panza” porque a batina não faz o cura, e Lula é Lula qualquer que seja seu traje, “me comunicaram que teria de ir de fraque ao jantar no palácio com o rei da Espanha, mandei dizer a Juan Carlos que eu não usava isso e aqui no Brasil muitos me criticaram, que falta de elegância!, de capacidade de exercer a presidência!, até que o rei me chamou, venha como queira, de terno e gravata, porque não quero ser visto como um estranho em meu povo, o que acontece é que a liturgia do poder está toda preparada para te distanciar do povo, quando és candidato caminha ao ar livre, cumprimentando as pessoas, mas uma vez que chega a presidente te botam num carro blindado e nunca mais vês o rosto dos cidadãos”.
Me pergunto a que se parecem mais as greves, se a guerras ou a carnavais. Luiz Inácio Lula da Silva estreou sua carreira política em mobilizações populares, na agitação das ruas e na luta nas portas de fábrica em defesa dos direitos dos trabalhadores. Quase um milhão e meio de operários foram a greve, liderados por ele, durante o ano de 1979, e a partir dessa data este corajoso dirigente sindical empreendeu uma carreira política cheia de altos e baixos que o levariam, um quarto de século depois, à presidência da república. “É notável que nem eu nem o meu vicepresidente, um empresário de êxito, tenhamos diploma universitário”, assinala com certo tom de orgulho que irrita a oposição pela ambigüidade que essa mensagem pode representar em um país em que a educação é uma meta fundamental do governo e empenho necessário para acabar com as desigualdades e a pobreza. Mas o que ele deseja transmitir é que a democracia funciona no Brasil, que não os méritos profissionais, acadêmicos ou de qualquer outro gênero, e sim a vontade dos eleitores o que é decisivo para chegar ao poder. Um poder que Lula não terá mais, ao menos formalmente, a partir do próximo mês de dezembro, após oito anos de exercício no cargo, do qual sai cercado de tal popularidade que alguns esperam vê-lo levitar a qualquer momento, como fazia o gorila de Garcia Márquez em Cem Anos de Solidão, só que a base de ingerir café brasileiro, que ele consome a cada instante com avidez, em vez de xícaras de chocolate.
O momento mais extraordinário do poder é o período entre o dia da vitória e a possessão. Logo se vê que as coisas não são tão fáceis, que se está diante de uma série de obstáculos. Eu teria motivos de sobra para dizer que a mim o poder me deu mais alegrias que tristezas, porque poucas vezes na história do Brasil aconteceram coisas tão importantes como durante o meu governo, mas continuarem lamentando pelo que não pude fazer, a reforma do Estado, por exemplo. Não fomos capazes de lhe dar maior agilidade; desde que tomamos uma decisão até executá-la, topa-se com quinhentos obstáculos em nome da democracia. Está o Congresso Nacional, com suas duas câmaras, a administração pública, os sindicatos, a justiça, as questões ambientais, onde as Ongs são muito ativas… Ou seja, que passam dois ou três anos antes que um projeto se cristalize. Faz falta um consenso que nos permita eliminar tantas dificuldades e atrasos. Não podemos renunciar à fiscalização, mas tampouco é aceitável usá-la para impedir que se façam as coisas que o Brasil necessita.”
Seu pragmatismo, sua cordialidade, seu bom senso, tudo nele me lembra o governador de Barataria. Quase oito anos após ocupar o principal cargo da república, suas maneiras pessoais, seu método de trabalho, seu ar decidido e astuto são os mesmos do Lula jovem que, fugindo da burocracia sindical, reunia-se às tardes no bar da Tia Rosa em São Bernando do Campo, onde ele ainda mantém sua residência familiar. Ali, com seus companheiros de luta, um grupo de amigos antes de ser um comitê organizado, preparavam, entre um copo e outro, as mobilizações em defesa de melhores salários para os trabalhadores. Nenhuma ideologia alimentava suas ações, que em seguida foram apoiadas, todavia, por movimentos católicos de base. “O PT não existiria sem a ajuda de milhares de padres e comunidades cristãs do Brasil, deve muito ao trabalho da Igreja, à teologia da libertação, aos sacerdotes progressistas. Tudo isso contribuiu para minha formação política, a construção do PT e a minha chegada ao poder. Minha relação com a Igreja católica foi e continua sendo muito forte, mas somos um país laico, tratamos todas as religiões com respeito”.
Interrompe-o por um momento Gilberto Carvalho, seu chefe de gabinete, “este era seminarista, ia ser padre, mas abandonou para entrar no PT, para construir comigo”, e despacha alguns assuntos à sombra de um crucifixo gigantesco que preside sua mesa de trabalho, enquanto eu imagino que para alguns militantes da época a agitação política era também uma espécie de sacerdócio. A influência religiosa (“esta é a Igreja mais progressista da América Latina, provavelmente do mundo”) é evidente também no tratamento das leis de aborto no Brasil, ainda que o presidente busca manter equidistância. O Vaticano “tem uma atitude muito conservadora sobre o ponto. No Brasil, o aborto está proibido, salvo em caso de estupro da mãe. Eu, como cidadão, sou contrário ao aborto, e não creio que haja nenhuma mulher que seja favorável a ele porque gera um grande sofrimento a quem o pratica. Mas como chefe de Estado penso que se trata de uma questão de saúde pública. Devemos proteger as meninas que decidem abortar por si mesmas metendo-se agulhas no útero e coisas assim. O Estado tem obrigação de atender a essas pessoas”.
Para os progressistas europeus, que adoram Lula, uma declaração deste gênero pode resultar decepcionante, tanto como a que ele já fez muitas vezes no sentido de que não se considera de esquerda. “Minha trajetória, meu perfil político, minha vida no sindicato, a criação do PT, me caracterizam, desde logo, como um esquerdista. Mas o próprio PT é uma novidade na esquerda mundial. Nasceu contra todos os dogmas dos partidos marxistas-leninistas, que obedeciam fielmente à Rússia ou China. No início era algo parecido a uma torcida de futebol; um grupo de trabalhadores que, junto ao movimento social, a Igreja Católica, e alguns intelectuais que havia acreditado e participado da luta armada, decidiram criar um partido político. Não tínhamos então um programa definido e eu nunca gostei que me enquadrassem, menos ainda ao assumir a presidência. Um chefe de Estado não é uma pessoa, é uma instituição, não tem vontade própria todo santo dia, tem que levar a cabo os acordos que sejam possíveis. Aprendi isso no poder e creio que foi bom para o Brasil. Não pode ser que eu goste de um presidente porque é de esquerda e de outro não, por ser direitista. Me dei bem com Aznar, e me dou bem com Zapatero; tenho que me relacionar com Piñera, do Chile, da mesma forma que com Bachelet. No exercício do poder sou um cidadão, como diria?, multinacional, multiideológicos, não?”
Com seus olhos brilhantes, inquietos, reclama minha aprovação para esse pragmatismo, e se transforma instantaneamente num agitador de torcida de futebol; levanta-se, senta-se, volta a se erguer, sorri primeiro, logo se derrama, te olha no olho, busca a proximidade, o carinho, sou apenas um brasileiro, um cidadão desse país capaz de contagiar pela alegria, de esse país com trezentos dias de sol por ano, desse país imenso, autossuficiente, pacífico, “do qual estamos tratando de eliminar cinqüenta ou sessenta anos de atraso, de desconfiança, anos em que ninguém queria investir aqui. E por isso estamos construindo um capitalismo moderno, o Estado de bem estar. Quando entrei no governo, o Brasil não tinha crédito, não tinha capital de trabalho, nem financiamento, nem distribuição de renda. Que raios de capitalismo era esse? Um capitalismo sem capital. Resolvi então que era preciso primeiro construir o capitalismo para depois fazer o socialismo; é preciso distribuí-lo antes de fazê-lo. Se o Brasil não tem nada, não há nada para distribuir, e os empresários tem que saber que é preciso pagar salários um pouco maiores para que as pessoas possam comprar os produtos que fabricam. Isto é o que dizia Henry Ford em 1912”.
Estamos em plena campanha eleitoral e Lula aproveita para fazer propaganda de seu partido, deixando escapar críticas duras, provavelmente injustas, a seu antecessor, o socialdemocrata Fernando Henrique Cardoso, tempo atrás companheiro seu na luta contra a ditadura e com o qual agora não se mostra em absoluto generoso. Mas o milagre brasileiro começou precisamente com Cardoso, um professor respeitado e um democrata exemplar, que saneou as contas públicas e venceu a inflação. Lula faz um balanço diferente. “Hoje só o Banco do Brasil tem mais crédito que todo o país quando eu cheguei ao poder. De modo que quando eu deixar a presidência, teremos criado mais de 14 milhões de postos de trabalho em oito anos. Só a China e a Índia podem competir com uma realidade assim”. Pergunto se isso é um triunfo do capitalismo e logo ele se apressa a esclarecer que é um triunfo de seu governo “porque teve coragem de enfrentar a crise, em vez de se queixar: fazendo investimentos, destravando a atividade de setores chave da economia, empreendendo muitas obras públicas. Se o Brasil mantém nos próximos cinco anos uma política fiscal e monetária séria, investiementos e controle da inflação, tem tudo para se transformar numa potência respeitada no mundo. Se a economia continuar crescendo entre 4,5% e 5,5%, em 2016 pode ser a quinta economia mundial”.
Não sei se descubro vestígios de herança portuguesa nessa fantasia um pouco hiperbólica do presidente, que o faz distanciar-se por momentos da sisuda prudência de Sancho para assemelhar-se mais à loucura idealista de Don Quixote, porque enquanto Lula fala, as pesquisas, lá fora, continuam dando como provável vencedor, ainda que por margem apertada, à José Serra, candidato do PSDB, partido de Cardoso. “Ganhe quem ganhar, ninguém fará nenhum disparate; o povo quer andar para frente e não voltar atrás. Mas permita-me dizer que não vejo a possibilidade de que percamos as eleições”. Muitos pensam que, se assim acontecesse, não seria por mérito de Dilma, a candidata do PT, uma ex-guerrilheira e política competente, mas sem o carisma que eleições presidenciais pedem, e sim pelo formidável apoio que lhe empresta o próprio Lula, cuja personalidade impregna tudo de lulismo, “sim, já sei que muita gente, para justificar-se, diz que não gosta do PT, gosta do Lula; gente da direita, claro. Isso acontece com outros líderes políticos, Felipe González, por exemplo. Normalmente as figuras públicas estão menos ideologizadas que os partidos, e temos capacidade individual de congregar em nosso entorno gente que de nenhuma maneira se sentem próximas de nossas formações. Mas não creio que exista um ‘lulismo’, prefiro acreditar que vamos fortalecer a democracia e os partidos políticos saberão se organizar e ser fortes”.
Traduzido por Miguel do Rosário, do Óleo do Diabo
“Tem que mudar a ONU. Se continuar assim não servirá à governança mundial.”
“Prefiro carnaval à guerra.” Pousa sua mão de operário sobre meu joelho, num gesto de cumplicidade, de camaradagem, de evidente franqueza, porque essa é a sua força e a sua convicção, a de comportar-se como é, como verdadeiramente lhe vêem os brasileiros, “sou um deles, um como eles”, vem de onde eles vêm, fala como eles falam, “não sou um estranho no ninho”, e até chegar ao poder se vestiu como eles se vestem, “ainda que trabalhei durante vinte e sete anos com um macacão, nunca me senti à vontade; com dois meses de gravata não tive dificuldade em acostumar-me a ela, é um belo adereço”. Me vêm à mente a reflexão de Sancho Panza sobre como será seu reinado sobre uma ilha, “vistam-me como quiserem, que de qualquer maneira que esteja vestido serei Sancho Panza” porque a batina não faz o cura, e Lula é Lula qualquer que seja seu traje, “me comunicaram que teria de ir de fraque ao jantar no palácio com o rei da Espanha, mandei dizer a Juan Carlos que eu não usava isso e aqui no Brasil muitos me criticaram, que falta de elegância!, de capacidade de exercer a presidência!, até que o rei me chamou, venha como queira, de terno e gravata, porque não quero ser visto como um estranho em meu povo, o que acontece é que a liturgia do poder está toda preparada para te distanciar do povo, quando és candidato caminha ao ar livre, cumprimentando as pessoas, mas uma vez que chega a presidente te botam num carro blindado e nunca mais vês o rosto dos cidadãos”.
Me pergunto a que se parecem mais as greves, se a guerras ou a carnavais. Luiz Inácio Lula da Silva estreou sua carreira política em mobilizações populares, na agitação das ruas e na luta nas portas de fábrica em defesa dos direitos dos trabalhadores. Quase um milhão e meio de operários foram a greve, liderados por ele, durante o ano de 1979, e a partir dessa data este corajoso dirigente sindical empreendeu uma carreira política cheia de altos e baixos que o levariam, um quarto de século depois, à presidência da república. “É notável que nem eu nem o meu vicepresidente, um empresário de êxito, tenhamos diploma universitário”, assinala com certo tom de orgulho que irrita a oposição pela ambigüidade que essa mensagem pode representar em um país em que a educação é uma meta fundamental do governo e empenho necessário para acabar com as desigualdades e a pobreza. Mas o que ele deseja transmitir é que a democracia funciona no Brasil, que não os méritos profissionais, acadêmicos ou de qualquer outro gênero, e sim a vontade dos eleitores o que é decisivo para chegar ao poder. Um poder que Lula não terá mais, ao menos formalmente, a partir do próximo mês de dezembro, após oito anos de exercício no cargo, do qual sai cercado de tal popularidade que alguns esperam vê-lo levitar a qualquer momento, como fazia o gorila de Garcia Márquez em Cem Anos de Solidão, só que a base de ingerir café brasileiro, que ele consome a cada instante com avidez, em vez de xícaras de chocolate.
O momento mais extraordinário do poder é o período entre o dia da vitória e a possessão. Logo se vê que as coisas não são tão fáceis, que se está diante de uma série de obstáculos. Eu teria motivos de sobra para dizer que a mim o poder me deu mais alegrias que tristezas, porque poucas vezes na história do Brasil aconteceram coisas tão importantes como durante o meu governo, mas continuarem lamentando pelo que não pude fazer, a reforma do Estado, por exemplo. Não fomos capazes de lhe dar maior agilidade; desde que tomamos uma decisão até executá-la, topa-se com quinhentos obstáculos em nome da democracia. Está o Congresso Nacional, com suas duas câmaras, a administração pública, os sindicatos, a justiça, as questões ambientais, onde as Ongs são muito ativas… Ou seja, que passam dois ou três anos antes que um projeto se cristalize. Faz falta um consenso que nos permita eliminar tantas dificuldades e atrasos. Não podemos renunciar à fiscalização, mas tampouco é aceitável usá-la para impedir que se façam as coisas que o Brasil necessita.”
Seu pragmatismo, sua cordialidade, seu bom senso, tudo nele me lembra o governador de Barataria. Quase oito anos após ocupar o principal cargo da república, suas maneiras pessoais, seu método de trabalho, seu ar decidido e astuto são os mesmos do Lula jovem que, fugindo da burocracia sindical, reunia-se às tardes no bar da Tia Rosa em São Bernando do Campo, onde ele ainda mantém sua residência familiar. Ali, com seus companheiros de luta, um grupo de amigos antes de ser um comitê organizado, preparavam, entre um copo e outro, as mobilizações em defesa de melhores salários para os trabalhadores. Nenhuma ideologia alimentava suas ações, que em seguida foram apoiadas, todavia, por movimentos católicos de base. “O PT não existiria sem a ajuda de milhares de padres e comunidades cristãs do Brasil, deve muito ao trabalho da Igreja, à teologia da libertação, aos sacerdotes progressistas. Tudo isso contribuiu para minha formação política, a construção do PT e a minha chegada ao poder. Minha relação com a Igreja católica foi e continua sendo muito forte, mas somos um país laico, tratamos todas as religiões com respeito”.
Interrompe-o por um momento Gilberto Carvalho, seu chefe de gabinete, “este era seminarista, ia ser padre, mas abandonou para entrar no PT, para construir comigo”, e despacha alguns assuntos à sombra de um crucifixo gigantesco que preside sua mesa de trabalho, enquanto eu imagino que para alguns militantes da época a agitação política era também uma espécie de sacerdócio. A influência religiosa (“esta é a Igreja mais progressista da América Latina, provavelmente do mundo”) é evidente também no tratamento das leis de aborto no Brasil, ainda que o presidente busca manter equidistância. O Vaticano “tem uma atitude muito conservadora sobre o ponto. No Brasil, o aborto está proibido, salvo em caso de estupro da mãe. Eu, como cidadão, sou contrário ao aborto, e não creio que haja nenhuma mulher que seja favorável a ele porque gera um grande sofrimento a quem o pratica. Mas como chefe de Estado penso que se trata de uma questão de saúde pública. Devemos proteger as meninas que decidem abortar por si mesmas metendo-se agulhas no útero e coisas assim. O Estado tem obrigação de atender a essas pessoas”.
Para os progressistas europeus, que adoram Lula, uma declaração deste gênero pode resultar decepcionante, tanto como a que ele já fez muitas vezes no sentido de que não se considera de esquerda. “Minha trajetória, meu perfil político, minha vida no sindicato, a criação do PT, me caracterizam, desde logo, como um esquerdista. Mas o próprio PT é uma novidade na esquerda mundial. Nasceu contra todos os dogmas dos partidos marxistas-leninistas, que obedeciam fielmente à Rússia ou China. No início era algo parecido a uma torcida de futebol; um grupo de trabalhadores que, junto ao movimento social, a Igreja Católica, e alguns intelectuais que havia acreditado e participado da luta armada, decidiram criar um partido político. Não tínhamos então um programa definido e eu nunca gostei que me enquadrassem, menos ainda ao assumir a presidência. Um chefe de Estado não é uma pessoa, é uma instituição, não tem vontade própria todo santo dia, tem que levar a cabo os acordos que sejam possíveis. Aprendi isso no poder e creio que foi bom para o Brasil. Não pode ser que eu goste de um presidente porque é de esquerda e de outro não, por ser direitista. Me dei bem com Aznar, e me dou bem com Zapatero; tenho que me relacionar com Piñera, do Chile, da mesma forma que com Bachelet. No exercício do poder sou um cidadão, como diria?, multinacional, multiideológicos, não?”
Com seus olhos brilhantes, inquietos, reclama minha aprovação para esse pragmatismo, e se transforma instantaneamente num agitador de torcida de futebol; levanta-se, senta-se, volta a se erguer, sorri primeiro, logo se derrama, te olha no olho, busca a proximidade, o carinho, sou apenas um brasileiro, um cidadão desse país capaz de contagiar pela alegria, de esse país com trezentos dias de sol por ano, desse país imenso, autossuficiente, pacífico, “do qual estamos tratando de eliminar cinqüenta ou sessenta anos de atraso, de desconfiança, anos em que ninguém queria investir aqui. E por isso estamos construindo um capitalismo moderno, o Estado de bem estar. Quando entrei no governo, o Brasil não tinha crédito, não tinha capital de trabalho, nem financiamento, nem distribuição de renda. Que raios de capitalismo era esse? Um capitalismo sem capital. Resolvi então que era preciso primeiro construir o capitalismo para depois fazer o socialismo; é preciso distribuí-lo antes de fazê-lo. Se o Brasil não tem nada, não há nada para distribuir, e os empresários tem que saber que é preciso pagar salários um pouco maiores para que as pessoas possam comprar os produtos que fabricam. Isto é o que dizia Henry Ford em 1912”.
Estamos em plena campanha eleitoral e Lula aproveita para fazer propaganda de seu partido, deixando escapar críticas duras, provavelmente injustas, a seu antecessor, o socialdemocrata Fernando Henrique Cardoso, tempo atrás companheiro seu na luta contra a ditadura e com o qual agora não se mostra em absoluto generoso. Mas o milagre brasileiro começou precisamente com Cardoso, um professor respeitado e um democrata exemplar, que saneou as contas públicas e venceu a inflação. Lula faz um balanço diferente. “Hoje só o Banco do Brasil tem mais crédito que todo o país quando eu cheguei ao poder. De modo que quando eu deixar a presidência, teremos criado mais de 14 milhões de postos de trabalho em oito anos. Só a China e a Índia podem competir com uma realidade assim”. Pergunto se isso é um triunfo do capitalismo e logo ele se apressa a esclarecer que é um triunfo de seu governo “porque teve coragem de enfrentar a crise, em vez de se queixar: fazendo investimentos, destravando a atividade de setores chave da economia, empreendendo muitas obras públicas. Se o Brasil mantém nos próximos cinco anos uma política fiscal e monetária séria, investiementos e controle da inflação, tem tudo para se transformar numa potência respeitada no mundo. Se a economia continuar crescendo entre 4,5% e 5,5%, em 2016 pode ser a quinta economia mundial”.
Não sei se descubro vestígios de herança portuguesa nessa fantasia um pouco hiperbólica do presidente, que o faz distanciar-se por momentos da sisuda prudência de Sancho para assemelhar-se mais à loucura idealista de Don Quixote, porque enquanto Lula fala, as pesquisas, lá fora, continuam dando como provável vencedor, ainda que por margem apertada, à José Serra, candidato do PSDB, partido de Cardoso. “Ganhe quem ganhar, ninguém fará nenhum disparate; o povo quer andar para frente e não voltar atrás. Mas permita-me dizer que não vejo a possibilidade de que percamos as eleições”. Muitos pensam que, se assim acontecesse, não seria por mérito de Dilma, a candidata do PT, uma ex-guerrilheira e política competente, mas sem o carisma que eleições presidenciais pedem, e sim pelo formidável apoio que lhe empresta o próprio Lula, cuja personalidade impregna tudo de lulismo, “sim, já sei que muita gente, para justificar-se, diz que não gosta do PT, gosta do Lula; gente da direita, claro. Isso acontece com outros líderes políticos, Felipe González, por exemplo. Normalmente as figuras públicas estão menos ideologizadas que os partidos, e temos capacidade individual de congregar em nosso entorno gente que de nenhuma maneira se sentem próximas de nossas formações. Mas não creio que exista um ‘lulismo’, prefiro acreditar que vamos fortalecer a democracia e os partidos políticos saberão se organizar e ser fortes”.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
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A descoberta - Oswald de Andrade
Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
José Oswald de Sousa de Andrade Nogueira (São Paulo 11 de janeiro de 1890 - São Paulo 22 de outubro de 1954) - Foi escritor, ensaísta, dramaturgo e poeta. Figura central no Modernismo Brasileiro, foi o autor do Manifesto da Poesia Pau-Brasil e do Manifesto Antropofágico. Publicou em poesia: Pau-Brasil (1926), Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade (1927), Cânticos dos Pânticos da Flauta e Violão (1945), O Escaravelho de Ouro (1945), O Cavalo Azul (1947) e Manhã (1947).
Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
José Oswald de Sousa de Andrade Nogueira (São Paulo 11 de janeiro de 1890 - São Paulo 22 de outubro de 1954) - Foi escritor, ensaísta, dramaturgo e poeta. Figura central no Modernismo Brasileiro, foi o autor do Manifesto da Poesia Pau-Brasil e do Manifesto Antropofágico. Publicou em poesia: Pau-Brasil (1926), Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade (1927), Cânticos dos Pânticos da Flauta e Violão (1945), O Escaravelho de Ouro (1945), O Cavalo Azul (1947) e Manhã (1947).
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