Vou lhe ensinar como se arma um alçapão para pegar Sanhaço. Será preciso que o dia amanheça pianinho no quintal. A luz dele toda de mansinho galgando os potes de guardar água de chuva, o beiral se desenhado no chão como um relógio de areia se cumprindo lento. É hora. Cuidemos de arrumar no alforje as balas de celão para o badogue, um pedaço de jabá roubado da cozinha e a coité de farinha. Vou dizer... leve um fitilho de São Francisco - apetrecho essencial para quem crê que Deus acorda cedo e não terá nada melhor a fazer nesta mahã do que armar um alçapão para ganhar Sanhaço.
No meio do quintal, já comprido demais para o nosso alcance, reina o mamoeiro pejadinho de frutos. Uns peitões amarelos sensuais e belos, a natureza aguardando madura a bicada dos pássaros. Mamão é assim, um alimento sensual, essencial à natureza inteira. É ele lá se oferecendo e nós cá, armando a pegação de um Sanhaço.
Temos o Alçapão, uma gaiola de nada, feita de cipós macios e palitos de dicurizeira, onde uma tira de pneu de bicicleta e um pedaço de banana prata armam a armadilha: o Sanhaço vem e pou!... prisioneiro.
Pois bem: Sanhaço é bicho besta, não vale nada na feira porque nem canta nem faz gracinha, ninguém chega em sua casa e diz: Há, você tem um sanhaço na gaiola! Não vale nem pra dizer eu tenho um sanhaço gordo, qualquer dia asso ele pra nós, com farofa e guaraná.É pasarinho mirradinho de peito, não enche o buraco do dente. Então, pra que?
- Para me encher esta manhã de infância.
Amaral Cavalcante 14/07/2010.
Serra, mais uma vez, implica com jornalista
Em visita a São Luís, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, deixou bem claro que o seu calcanhar de aquiles, nesta disputa eleitoral, será reverter a sua baixa popularidade na região Nordeste, ao contrário da candidata Dilma Rousseff (PT), com as bênçãos do presidente Lula.
Durante entrevista coletiva à imprensa, na sede da rádio Capital AM, de propriedade do deputado federal Roberto Rocha (PSDB), o presidenciável José Serra chegou a se irritar com uma pergunta deste blogueiro sobre como o candidato faria para reverter essa alta impopularidade no Nordeste, dando como exemplo o Maranhão.
Mostrando-se irritado com o questionamento, José Serra chegou a interromper minha pergunta ao me questionar para qual veículo de comunicação eu trabalhava. Disse que eu estava gravando para a Rádio Mirante AM. Automaticamente, ele me interpelou dizendo: “essa não é a rádio do Sarney?”
Logo em seguida, bastante incomodado pelo teor da pergunta, o candidato tucano procurou minimizar sua impopularidade no Nordeste em relação à sua adversária petista, fato que vem sendo mostrado pela imprensa e mídia nacional.
“Eu não sei aonde você viu isso. Vamos fazer uma coisa, você quer fazer propaganda pra Dilma? Eu acho legítimo que sua rádio e você faça campanha para Dilma. Não tenho nada a me opor. Agora não venha falar mentira. Tudo bem, faz a campanha direto (pra Dilma)”, disse irritado José Serra.
Pelo visto, a vinda à capital maranhense revelou uma outra face do candidato tucano. O medo de responder perguntas que lhe mostram a sua real impopularidade e falta de carisma numa região que até bem pouco tempo atrás ficou renegada ao pó do chinelo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), seu tutor político.
Fontes: Blog do Mario Carvalho e Viomundo
Durante entrevista coletiva à imprensa, na sede da rádio Capital AM, de propriedade do deputado federal Roberto Rocha (PSDB), o presidenciável José Serra chegou a se irritar com uma pergunta deste blogueiro sobre como o candidato faria para reverter essa alta impopularidade no Nordeste, dando como exemplo o Maranhão.
Mostrando-se irritado com o questionamento, José Serra chegou a interromper minha pergunta ao me questionar para qual veículo de comunicação eu trabalhava. Disse que eu estava gravando para a Rádio Mirante AM. Automaticamente, ele me interpelou dizendo: “essa não é a rádio do Sarney?”
Logo em seguida, bastante incomodado pelo teor da pergunta, o candidato tucano procurou minimizar sua impopularidade no Nordeste em relação à sua adversária petista, fato que vem sendo mostrado pela imprensa e mídia nacional.
“Eu não sei aonde você viu isso. Vamos fazer uma coisa, você quer fazer propaganda pra Dilma? Eu acho legítimo que sua rádio e você faça campanha para Dilma. Não tenho nada a me opor. Agora não venha falar mentira. Tudo bem, faz a campanha direto (pra Dilma)”, disse irritado José Serra.
Pelo visto, a vinda à capital maranhense revelou uma outra face do candidato tucano. O medo de responder perguntas que lhe mostram a sua real impopularidade e falta de carisma numa região que até bem pouco tempo atrás ficou renegada ao pó do chinelo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), seu tutor político.
Fontes: Blog do Mario Carvalho e Viomundo
Dilma na frente em Pernambuco e Tocantins
A pesquisa de intenção de votos divulgada pelo Instituto Maurício de Nassau, nesta quarta-feira (14), mostra uma ampla vantagem em Pernambuco para a candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT). A petista obteve, na pesquisa estimulada, 52% das intenções de votos, contra 23% de José Serra (PSDB) e 4% para Marina Silva (PV). A soma dos demais candidatos é de 1% apenas. 9% disseram votar em branco ou nulo, 10% não sabem ou não responderam.
Na pesquisa espontânea, onde não são apresentadas opções de candidatos para os entrevistados, Dilma Rousseff obteve 49% das intenções de votos. Serra é citado por 19% dos eleitores e Marina por 3%. Lula ainda é “votado” por 7% dos pesquisados. Brancos e nulos, 5% e 15% não sabem ou não responderam.
Na corrida pelo governo de Pernambuco, o instituto aponta, mais uma vez, a liderança do governador e candidato à reeleição, Eduardo Campos (PSB), com 47,8%. O segundo colocado e principal adversário de Campos, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) apresenta 25,9% de preferência dos eleitores. Os demais candidatos somados têm 1,5% das intenções de votos. 9,8% dos eleitores votariam em branco ou nulo, e 15% não sabem ou não responderam.
Na pesquisa espontânea, Eduardo Campos também aparece na frente, com 42% das intenções de votos. Jarbas Vasconcelos é citado por 31% e os demais candidatos, somados, alcançam 3%. Brancos e Nulos são 7% e 28% não responderam ou não sabem em quem vão votar.
Para o Senado, quando a questão faz referência à primeira vaga, o candidato Humberto Costa (PT) é citado por 21% dos entrevistados, seguido do candidato à reeleição, Marco Maciel (DEM), com 20%. Armando Monteiro Neto (PTB) é lembrado por 12% do eleitorado e Raul Jungmann apresenta 3% das intenções de votos. Os demais candidatos, somados, têm 2% apenas. 13% votariam em branco ou nulo e 29% não sabem ou não responderam.
Quando a questão remete-se à segunda vaga para o Senado, Humberto Costa aparece mais uma vez como o preferido, com 16%. Marco Maciel registra 13% das intenções de voto, Armando Monteiro Neto é citado por 12% e Raul Jungmann soma apenas 4%. Brancos e Nulos são 18% e 33% não sabem ou não responderam.
A pesquisa do Instituto Maurício de Nassau foi registrada junto à Justiça Eleitoral sob os números: 29753/2010 no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) e 18540/2010 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram realizadas 2,5 mil entrevistas entre 7 e 8 de julho. Os dados têm um nível estimado de 95% de confiança e a margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.
Com 44,46 % das intenções de votos, Dilma lidera disputa presidencial no Tocantins
Pesquisa realizada pelo Instituto Stylo de Comunicação (Promotion-Editora Eventos e Promoções Ltda) divulgada nesta quarta feira,14, mostra que a candidata à presidência da Republica, Dilma Rousseff (PT), lidera as intenções de votos no Tocantins.
Na pesquisa, a candidata petista ficou em primeiro lugar com a preferência de 44,46% dos eleitores, contra 24,22% de José Serra (PSDB) e 8,02% de Marina Silva (PV)
Registrada no último dia 7 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 10 deste mês. Foram ouvidos 1.309 eleitores de diferentes regiões do estado.
As entrevistas foram realizadas de forma individual, com a aplicação de questionário estruturado e os resultados obtidos serão representativos de diferentes regiões do Estado. A pesquisa considerou as seguintes variáveis: sexo, faixa etária, grau de instrução e nível econômico (renda familiar média) dos entrevistados.
Os dados obtidos permitem fazer inferência estatística para todo o Estado, uma vez que a amostra aleatória obtida representa o universo de eleitores de várias regiões.
Fontes: Terra, Portal Stylo e Viomundo.
Na pesquisa espontânea, onde não são apresentadas opções de candidatos para os entrevistados, Dilma Rousseff obteve 49% das intenções de votos. Serra é citado por 19% dos eleitores e Marina por 3%. Lula ainda é “votado” por 7% dos pesquisados. Brancos e nulos, 5% e 15% não sabem ou não responderam.
Na corrida pelo governo de Pernambuco, o instituto aponta, mais uma vez, a liderança do governador e candidato à reeleição, Eduardo Campos (PSB), com 47,8%. O segundo colocado e principal adversário de Campos, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) apresenta 25,9% de preferência dos eleitores. Os demais candidatos somados têm 1,5% das intenções de votos. 9,8% dos eleitores votariam em branco ou nulo, e 15% não sabem ou não responderam.
Na pesquisa espontânea, Eduardo Campos também aparece na frente, com 42% das intenções de votos. Jarbas Vasconcelos é citado por 31% e os demais candidatos, somados, alcançam 3%. Brancos e Nulos são 7% e 28% não responderam ou não sabem em quem vão votar.
Para o Senado, quando a questão faz referência à primeira vaga, o candidato Humberto Costa (PT) é citado por 21% dos entrevistados, seguido do candidato à reeleição, Marco Maciel (DEM), com 20%. Armando Monteiro Neto (PTB) é lembrado por 12% do eleitorado e Raul Jungmann apresenta 3% das intenções de votos. Os demais candidatos, somados, têm 2% apenas. 13% votariam em branco ou nulo e 29% não sabem ou não responderam.
Quando a questão remete-se à segunda vaga para o Senado, Humberto Costa aparece mais uma vez como o preferido, com 16%. Marco Maciel registra 13% das intenções de voto, Armando Monteiro Neto é citado por 12% e Raul Jungmann soma apenas 4%. Brancos e Nulos são 18% e 33% não sabem ou não responderam.
A pesquisa do Instituto Maurício de Nassau foi registrada junto à Justiça Eleitoral sob os números: 29753/2010 no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) e 18540/2010 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram realizadas 2,5 mil entrevistas entre 7 e 8 de julho. Os dados têm um nível estimado de 95% de confiança e a margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.
Com 44,46 % das intenções de votos, Dilma lidera disputa presidencial no Tocantins
Pesquisa realizada pelo Instituto Stylo de Comunicação (Promotion-Editora Eventos e Promoções Ltda) divulgada nesta quarta feira,14, mostra que a candidata à presidência da Republica, Dilma Rousseff (PT), lidera as intenções de votos no Tocantins.
Na pesquisa, a candidata petista ficou em primeiro lugar com a preferência de 44,46% dos eleitores, contra 24,22% de José Serra (PSDB) e 8,02% de Marina Silva (PV)
Registrada no último dia 7 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 10 deste mês. Foram ouvidos 1.309 eleitores de diferentes regiões do estado.
As entrevistas foram realizadas de forma individual, com a aplicação de questionário estruturado e os resultados obtidos serão representativos de diferentes regiões do Estado. A pesquisa considerou as seguintes variáveis: sexo, faixa etária, grau de instrução e nível econômico (renda familiar média) dos entrevistados.
Os dados obtidos permitem fazer inferência estatística para todo o Estado, uma vez que a amostra aleatória obtida representa o universo de eleitores de várias regiões.
Fontes: Terra, Portal Stylo e Viomundo.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
0 comentáriosLula no El Pais
Por Juan Luis Cebrián, no El Pais
Traduzido por Miguel do Rosário, do Óleo do Diabo
“Tem que mudar a ONU. Se continuar assim não servirá à governança mundial.”
“Prefiro carnaval à guerra.” Pousa sua mão de operário sobre meu joelho, num gesto de cumplicidade, de camaradagem, de evidente franqueza, porque essa é a sua força e a sua convicção, a de comportar-se como é, como verdadeiramente lhe vêem os brasileiros, “sou um deles, um como eles”, vem de onde eles vêm, fala como eles falam, “não sou um estranho no ninho”, e até chegar ao poder se vestiu como eles se vestem, “ainda que trabalhei durante vinte e sete anos com um macacão, nunca me senti à vontade; com dois meses de gravata não tive dificuldade em acostumar-me a ela, é um belo adereço”. Me vêm à mente a reflexão de Sancho Panza sobre como será seu reinado sobre uma ilha, “vistam-me como quiserem, que de qualquer maneira que esteja vestido serei Sancho Panza” porque a batina não faz o cura, e Lula é Lula qualquer que seja seu traje, “me comunicaram que teria de ir de fraque ao jantar no palácio com o rei da Espanha, mandei dizer a Juan Carlos que eu não usava isso e aqui no Brasil muitos me criticaram, que falta de elegância!, de capacidade de exercer a presidência!, até que o rei me chamou, venha como queira, de terno e gravata, porque não quero ser visto como um estranho em meu povo, o que acontece é que a liturgia do poder está toda preparada para te distanciar do povo, quando és candidato caminha ao ar livre, cumprimentando as pessoas, mas uma vez que chega a presidente te botam num carro blindado e nunca mais vês o rosto dos cidadãos”.
Me pergunto a que se parecem mais as greves, se a guerras ou a carnavais. Luiz Inácio Lula da Silva estreou sua carreira política em mobilizações populares, na agitação das ruas e na luta nas portas de fábrica em defesa dos direitos dos trabalhadores. Quase um milhão e meio de operários foram a greve, liderados por ele, durante o ano de 1979, e a partir dessa data este corajoso dirigente sindical empreendeu uma carreira política cheia de altos e baixos que o levariam, um quarto de século depois, à presidência da república. “É notável que nem eu nem o meu vicepresidente, um empresário de êxito, tenhamos diploma universitário”, assinala com certo tom de orgulho que irrita a oposição pela ambigüidade que essa mensagem pode representar em um país em que a educação é uma meta fundamental do governo e empenho necessário para acabar com as desigualdades e a pobreza. Mas o que ele deseja transmitir é que a democracia funciona no Brasil, que não os méritos profissionais, acadêmicos ou de qualquer outro gênero, e sim a vontade dos eleitores o que é decisivo para chegar ao poder. Um poder que Lula não terá mais, ao menos formalmente, a partir do próximo mês de dezembro, após oito anos de exercício no cargo, do qual sai cercado de tal popularidade que alguns esperam vê-lo levitar a qualquer momento, como fazia o gorila de Garcia Márquez em Cem Anos de Solidão, só que a base de ingerir café brasileiro, que ele consome a cada instante com avidez, em vez de xícaras de chocolate.
O momento mais extraordinário do poder é o período entre o dia da vitória e a possessão. Logo se vê que as coisas não são tão fáceis, que se está diante de uma série de obstáculos. Eu teria motivos de sobra para dizer que a mim o poder me deu mais alegrias que tristezas, porque poucas vezes na história do Brasil aconteceram coisas tão importantes como durante o meu governo, mas continuarem lamentando pelo que não pude fazer, a reforma do Estado, por exemplo. Não fomos capazes de lhe dar maior agilidade; desde que tomamos uma decisão até executá-la, topa-se com quinhentos obstáculos em nome da democracia. Está o Congresso Nacional, com suas duas câmaras, a administração pública, os sindicatos, a justiça, as questões ambientais, onde as Ongs são muito ativas… Ou seja, que passam dois ou três anos antes que um projeto se cristalize. Faz falta um consenso que nos permita eliminar tantas dificuldades e atrasos. Não podemos renunciar à fiscalização, mas tampouco é aceitável usá-la para impedir que se façam as coisas que o Brasil necessita.”
Seu pragmatismo, sua cordialidade, seu bom senso, tudo nele me lembra o governador de Barataria. Quase oito anos após ocupar o principal cargo da república, suas maneiras pessoais, seu método de trabalho, seu ar decidido e astuto são os mesmos do Lula jovem que, fugindo da burocracia sindical, reunia-se às tardes no bar da Tia Rosa em São Bernando do Campo, onde ele ainda mantém sua residência familiar. Ali, com seus companheiros de luta, um grupo de amigos antes de ser um comitê organizado, preparavam, entre um copo e outro, as mobilizações em defesa de melhores salários para os trabalhadores. Nenhuma ideologia alimentava suas ações, que em seguida foram apoiadas, todavia, por movimentos católicos de base. “O PT não existiria sem a ajuda de milhares de padres e comunidades cristãs do Brasil, deve muito ao trabalho da Igreja, à teologia da libertação, aos sacerdotes progressistas. Tudo isso contribuiu para minha formação política, a construção do PT e a minha chegada ao poder. Minha relação com a Igreja católica foi e continua sendo muito forte, mas somos um país laico, tratamos todas as religiões com respeito”.
Interrompe-o por um momento Gilberto Carvalho, seu chefe de gabinete, “este era seminarista, ia ser padre, mas abandonou para entrar no PT, para construir comigo”, e despacha alguns assuntos à sombra de um crucifixo gigantesco que preside sua mesa de trabalho, enquanto eu imagino que para alguns militantes da época a agitação política era também uma espécie de sacerdócio. A influência religiosa (“esta é a Igreja mais progressista da América Latina, provavelmente do mundo”) é evidente também no tratamento das leis de aborto no Brasil, ainda que o presidente busca manter equidistância. O Vaticano “tem uma atitude muito conservadora sobre o ponto. No Brasil, o aborto está proibido, salvo em caso de estupro da mãe. Eu, como cidadão, sou contrário ao aborto, e não creio que haja nenhuma mulher que seja favorável a ele porque gera um grande sofrimento a quem o pratica. Mas como chefe de Estado penso que se trata de uma questão de saúde pública. Devemos proteger as meninas que decidem abortar por si mesmas metendo-se agulhas no útero e coisas assim. O Estado tem obrigação de atender a essas pessoas”.
Para os progressistas europeus, que adoram Lula, uma declaração deste gênero pode resultar decepcionante, tanto como a que ele já fez muitas vezes no sentido de que não se considera de esquerda. “Minha trajetória, meu perfil político, minha vida no sindicato, a criação do PT, me caracterizam, desde logo, como um esquerdista. Mas o próprio PT é uma novidade na esquerda mundial. Nasceu contra todos os dogmas dos partidos marxistas-leninistas, que obedeciam fielmente à Rússia ou China. No início era algo parecido a uma torcida de futebol; um grupo de trabalhadores que, junto ao movimento social, a Igreja Católica, e alguns intelectuais que havia acreditado e participado da luta armada, decidiram criar um partido político. Não tínhamos então um programa definido e eu nunca gostei que me enquadrassem, menos ainda ao assumir a presidência. Um chefe de Estado não é uma pessoa, é uma instituição, não tem vontade própria todo santo dia, tem que levar a cabo os acordos que sejam possíveis. Aprendi isso no poder e creio que foi bom para o Brasil. Não pode ser que eu goste de um presidente porque é de esquerda e de outro não, por ser direitista. Me dei bem com Aznar, e me dou bem com Zapatero; tenho que me relacionar com Piñera, do Chile, da mesma forma que com Bachelet. No exercício do poder sou um cidadão, como diria?, multinacional, multiideológicos, não?”
Com seus olhos brilhantes, inquietos, reclama minha aprovação para esse pragmatismo, e se transforma instantaneamente num agitador de torcida de futebol; levanta-se, senta-se, volta a se erguer, sorri primeiro, logo se derrama, te olha no olho, busca a proximidade, o carinho, sou apenas um brasileiro, um cidadão desse país capaz de contagiar pela alegria, de esse país com trezentos dias de sol por ano, desse país imenso, autossuficiente, pacífico, “do qual estamos tratando de eliminar cinqüenta ou sessenta anos de atraso, de desconfiança, anos em que ninguém queria investir aqui. E por isso estamos construindo um capitalismo moderno, o Estado de bem estar. Quando entrei no governo, o Brasil não tinha crédito, não tinha capital de trabalho, nem financiamento, nem distribuição de renda. Que raios de capitalismo era esse? Um capitalismo sem capital. Resolvi então que era preciso primeiro construir o capitalismo para depois fazer o socialismo; é preciso distribuí-lo antes de fazê-lo. Se o Brasil não tem nada, não há nada para distribuir, e os empresários tem que saber que é preciso pagar salários um pouco maiores para que as pessoas possam comprar os produtos que fabricam. Isto é o que dizia Henry Ford em 1912”.
Estamos em plena campanha eleitoral e Lula aproveita para fazer propaganda de seu partido, deixando escapar críticas duras, provavelmente injustas, a seu antecessor, o socialdemocrata Fernando Henrique Cardoso, tempo atrás companheiro seu na luta contra a ditadura e com o qual agora não se mostra em absoluto generoso. Mas o milagre brasileiro começou precisamente com Cardoso, um professor respeitado e um democrata exemplar, que saneou as contas públicas e venceu a inflação. Lula faz um balanço diferente. “Hoje só o Banco do Brasil tem mais crédito que todo o país quando eu cheguei ao poder. De modo que quando eu deixar a presidência, teremos criado mais de 14 milhões de postos de trabalho em oito anos. Só a China e a Índia podem competir com uma realidade assim”. Pergunto se isso é um triunfo do capitalismo e logo ele se apressa a esclarecer que é um triunfo de seu governo “porque teve coragem de enfrentar a crise, em vez de se queixar: fazendo investimentos, destravando a atividade de setores chave da economia, empreendendo muitas obras públicas. Se o Brasil mantém nos próximos cinco anos uma política fiscal e monetária séria, investiementos e controle da inflação, tem tudo para se transformar numa potência respeitada no mundo. Se a economia continuar crescendo entre 4,5% e 5,5%, em 2016 pode ser a quinta economia mundial”.
Não sei se descubro vestígios de herança portuguesa nessa fantasia um pouco hiperbólica do presidente, que o faz distanciar-se por momentos da sisuda prudência de Sancho para assemelhar-se mais à loucura idealista de Don Quixote, porque enquanto Lula fala, as pesquisas, lá fora, continuam dando como provável vencedor, ainda que por margem apertada, à José Serra, candidato do PSDB, partido de Cardoso. “Ganhe quem ganhar, ninguém fará nenhum disparate; o povo quer andar para frente e não voltar atrás. Mas permita-me dizer que não vejo a possibilidade de que percamos as eleições”. Muitos pensam que, se assim acontecesse, não seria por mérito de Dilma, a candidata do PT, uma ex-guerrilheira e política competente, mas sem o carisma que eleições presidenciais pedem, e sim pelo formidável apoio que lhe empresta o próprio Lula, cuja personalidade impregna tudo de lulismo, “sim, já sei que muita gente, para justificar-se, diz que não gosta do PT, gosta do Lula; gente da direita, claro. Isso acontece com outros líderes políticos, Felipe González, por exemplo. Normalmente as figuras públicas estão menos ideologizadas que os partidos, e temos capacidade individual de congregar em nosso entorno gente que de nenhuma maneira se sentem próximas de nossas formações. Mas não creio que exista um ‘lulismo’, prefiro acreditar que vamos fortalecer a democracia e os partidos políticos saberão se organizar e ser fortes”.
Traduzido por Miguel do Rosário, do Óleo do Diabo
“Tem que mudar a ONU. Se continuar assim não servirá à governança mundial.”
“Prefiro carnaval à guerra.” Pousa sua mão de operário sobre meu joelho, num gesto de cumplicidade, de camaradagem, de evidente franqueza, porque essa é a sua força e a sua convicção, a de comportar-se como é, como verdadeiramente lhe vêem os brasileiros, “sou um deles, um como eles”, vem de onde eles vêm, fala como eles falam, “não sou um estranho no ninho”, e até chegar ao poder se vestiu como eles se vestem, “ainda que trabalhei durante vinte e sete anos com um macacão, nunca me senti à vontade; com dois meses de gravata não tive dificuldade em acostumar-me a ela, é um belo adereço”. Me vêm à mente a reflexão de Sancho Panza sobre como será seu reinado sobre uma ilha, “vistam-me como quiserem, que de qualquer maneira que esteja vestido serei Sancho Panza” porque a batina não faz o cura, e Lula é Lula qualquer que seja seu traje, “me comunicaram que teria de ir de fraque ao jantar no palácio com o rei da Espanha, mandei dizer a Juan Carlos que eu não usava isso e aqui no Brasil muitos me criticaram, que falta de elegância!, de capacidade de exercer a presidência!, até que o rei me chamou, venha como queira, de terno e gravata, porque não quero ser visto como um estranho em meu povo, o que acontece é que a liturgia do poder está toda preparada para te distanciar do povo, quando és candidato caminha ao ar livre, cumprimentando as pessoas, mas uma vez que chega a presidente te botam num carro blindado e nunca mais vês o rosto dos cidadãos”.
Me pergunto a que se parecem mais as greves, se a guerras ou a carnavais. Luiz Inácio Lula da Silva estreou sua carreira política em mobilizações populares, na agitação das ruas e na luta nas portas de fábrica em defesa dos direitos dos trabalhadores. Quase um milhão e meio de operários foram a greve, liderados por ele, durante o ano de 1979, e a partir dessa data este corajoso dirigente sindical empreendeu uma carreira política cheia de altos e baixos que o levariam, um quarto de século depois, à presidência da república. “É notável que nem eu nem o meu vicepresidente, um empresário de êxito, tenhamos diploma universitário”, assinala com certo tom de orgulho que irrita a oposição pela ambigüidade que essa mensagem pode representar em um país em que a educação é uma meta fundamental do governo e empenho necessário para acabar com as desigualdades e a pobreza. Mas o que ele deseja transmitir é que a democracia funciona no Brasil, que não os méritos profissionais, acadêmicos ou de qualquer outro gênero, e sim a vontade dos eleitores o que é decisivo para chegar ao poder. Um poder que Lula não terá mais, ao menos formalmente, a partir do próximo mês de dezembro, após oito anos de exercício no cargo, do qual sai cercado de tal popularidade que alguns esperam vê-lo levitar a qualquer momento, como fazia o gorila de Garcia Márquez em Cem Anos de Solidão, só que a base de ingerir café brasileiro, que ele consome a cada instante com avidez, em vez de xícaras de chocolate.
O momento mais extraordinário do poder é o período entre o dia da vitória e a possessão. Logo se vê que as coisas não são tão fáceis, que se está diante de uma série de obstáculos. Eu teria motivos de sobra para dizer que a mim o poder me deu mais alegrias que tristezas, porque poucas vezes na história do Brasil aconteceram coisas tão importantes como durante o meu governo, mas continuarem lamentando pelo que não pude fazer, a reforma do Estado, por exemplo. Não fomos capazes de lhe dar maior agilidade; desde que tomamos uma decisão até executá-la, topa-se com quinhentos obstáculos em nome da democracia. Está o Congresso Nacional, com suas duas câmaras, a administração pública, os sindicatos, a justiça, as questões ambientais, onde as Ongs são muito ativas… Ou seja, que passam dois ou três anos antes que um projeto se cristalize. Faz falta um consenso que nos permita eliminar tantas dificuldades e atrasos. Não podemos renunciar à fiscalização, mas tampouco é aceitável usá-la para impedir que se façam as coisas que o Brasil necessita.”
Seu pragmatismo, sua cordialidade, seu bom senso, tudo nele me lembra o governador de Barataria. Quase oito anos após ocupar o principal cargo da república, suas maneiras pessoais, seu método de trabalho, seu ar decidido e astuto são os mesmos do Lula jovem que, fugindo da burocracia sindical, reunia-se às tardes no bar da Tia Rosa em São Bernando do Campo, onde ele ainda mantém sua residência familiar. Ali, com seus companheiros de luta, um grupo de amigos antes de ser um comitê organizado, preparavam, entre um copo e outro, as mobilizações em defesa de melhores salários para os trabalhadores. Nenhuma ideologia alimentava suas ações, que em seguida foram apoiadas, todavia, por movimentos católicos de base. “O PT não existiria sem a ajuda de milhares de padres e comunidades cristãs do Brasil, deve muito ao trabalho da Igreja, à teologia da libertação, aos sacerdotes progressistas. Tudo isso contribuiu para minha formação política, a construção do PT e a minha chegada ao poder. Minha relação com a Igreja católica foi e continua sendo muito forte, mas somos um país laico, tratamos todas as religiões com respeito”.
Interrompe-o por um momento Gilberto Carvalho, seu chefe de gabinete, “este era seminarista, ia ser padre, mas abandonou para entrar no PT, para construir comigo”, e despacha alguns assuntos à sombra de um crucifixo gigantesco que preside sua mesa de trabalho, enquanto eu imagino que para alguns militantes da época a agitação política era também uma espécie de sacerdócio. A influência religiosa (“esta é a Igreja mais progressista da América Latina, provavelmente do mundo”) é evidente também no tratamento das leis de aborto no Brasil, ainda que o presidente busca manter equidistância. O Vaticano “tem uma atitude muito conservadora sobre o ponto. No Brasil, o aborto está proibido, salvo em caso de estupro da mãe. Eu, como cidadão, sou contrário ao aborto, e não creio que haja nenhuma mulher que seja favorável a ele porque gera um grande sofrimento a quem o pratica. Mas como chefe de Estado penso que se trata de uma questão de saúde pública. Devemos proteger as meninas que decidem abortar por si mesmas metendo-se agulhas no útero e coisas assim. O Estado tem obrigação de atender a essas pessoas”.
Para os progressistas europeus, que adoram Lula, uma declaração deste gênero pode resultar decepcionante, tanto como a que ele já fez muitas vezes no sentido de que não se considera de esquerda. “Minha trajetória, meu perfil político, minha vida no sindicato, a criação do PT, me caracterizam, desde logo, como um esquerdista. Mas o próprio PT é uma novidade na esquerda mundial. Nasceu contra todos os dogmas dos partidos marxistas-leninistas, que obedeciam fielmente à Rússia ou China. No início era algo parecido a uma torcida de futebol; um grupo de trabalhadores que, junto ao movimento social, a Igreja Católica, e alguns intelectuais que havia acreditado e participado da luta armada, decidiram criar um partido político. Não tínhamos então um programa definido e eu nunca gostei que me enquadrassem, menos ainda ao assumir a presidência. Um chefe de Estado não é uma pessoa, é uma instituição, não tem vontade própria todo santo dia, tem que levar a cabo os acordos que sejam possíveis. Aprendi isso no poder e creio que foi bom para o Brasil. Não pode ser que eu goste de um presidente porque é de esquerda e de outro não, por ser direitista. Me dei bem com Aznar, e me dou bem com Zapatero; tenho que me relacionar com Piñera, do Chile, da mesma forma que com Bachelet. No exercício do poder sou um cidadão, como diria?, multinacional, multiideológicos, não?”
Com seus olhos brilhantes, inquietos, reclama minha aprovação para esse pragmatismo, e se transforma instantaneamente num agitador de torcida de futebol; levanta-se, senta-se, volta a se erguer, sorri primeiro, logo se derrama, te olha no olho, busca a proximidade, o carinho, sou apenas um brasileiro, um cidadão desse país capaz de contagiar pela alegria, de esse país com trezentos dias de sol por ano, desse país imenso, autossuficiente, pacífico, “do qual estamos tratando de eliminar cinqüenta ou sessenta anos de atraso, de desconfiança, anos em que ninguém queria investir aqui. E por isso estamos construindo um capitalismo moderno, o Estado de bem estar. Quando entrei no governo, o Brasil não tinha crédito, não tinha capital de trabalho, nem financiamento, nem distribuição de renda. Que raios de capitalismo era esse? Um capitalismo sem capital. Resolvi então que era preciso primeiro construir o capitalismo para depois fazer o socialismo; é preciso distribuí-lo antes de fazê-lo. Se o Brasil não tem nada, não há nada para distribuir, e os empresários tem que saber que é preciso pagar salários um pouco maiores para que as pessoas possam comprar os produtos que fabricam. Isto é o que dizia Henry Ford em 1912”.
Estamos em plena campanha eleitoral e Lula aproveita para fazer propaganda de seu partido, deixando escapar críticas duras, provavelmente injustas, a seu antecessor, o socialdemocrata Fernando Henrique Cardoso, tempo atrás companheiro seu na luta contra a ditadura e com o qual agora não se mostra em absoluto generoso. Mas o milagre brasileiro começou precisamente com Cardoso, um professor respeitado e um democrata exemplar, que saneou as contas públicas e venceu a inflação. Lula faz um balanço diferente. “Hoje só o Banco do Brasil tem mais crédito que todo o país quando eu cheguei ao poder. De modo que quando eu deixar a presidência, teremos criado mais de 14 milhões de postos de trabalho em oito anos. Só a China e a Índia podem competir com uma realidade assim”. Pergunto se isso é um triunfo do capitalismo e logo ele se apressa a esclarecer que é um triunfo de seu governo “porque teve coragem de enfrentar a crise, em vez de se queixar: fazendo investimentos, destravando a atividade de setores chave da economia, empreendendo muitas obras públicas. Se o Brasil mantém nos próximos cinco anos uma política fiscal e monetária séria, investiementos e controle da inflação, tem tudo para se transformar numa potência respeitada no mundo. Se a economia continuar crescendo entre 4,5% e 5,5%, em 2016 pode ser a quinta economia mundial”.
Não sei se descubro vestígios de herança portuguesa nessa fantasia um pouco hiperbólica do presidente, que o faz distanciar-se por momentos da sisuda prudência de Sancho para assemelhar-se mais à loucura idealista de Don Quixote, porque enquanto Lula fala, as pesquisas, lá fora, continuam dando como provável vencedor, ainda que por margem apertada, à José Serra, candidato do PSDB, partido de Cardoso. “Ganhe quem ganhar, ninguém fará nenhum disparate; o povo quer andar para frente e não voltar atrás. Mas permita-me dizer que não vejo a possibilidade de que percamos as eleições”. Muitos pensam que, se assim acontecesse, não seria por mérito de Dilma, a candidata do PT, uma ex-guerrilheira e política competente, mas sem o carisma que eleições presidenciais pedem, e sim pelo formidável apoio que lhe empresta o próprio Lula, cuja personalidade impregna tudo de lulismo, “sim, já sei que muita gente, para justificar-se, diz que não gosta do PT, gosta do Lula; gente da direita, claro. Isso acontece com outros líderes políticos, Felipe González, por exemplo. Normalmente as figuras públicas estão menos ideologizadas que os partidos, e temos capacidade individual de congregar em nosso entorno gente que de nenhuma maneira se sentem próximas de nossas formações. Mas não creio que exista um ‘lulismo’, prefiro acreditar que vamos fortalecer a democracia e os partidos políticos saberão se organizar e ser fortes”.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
0 comentáriosEstação Literatura
A descoberta - Oswald de Andrade
Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
José Oswald de Sousa de Andrade Nogueira (São Paulo 11 de janeiro de 1890 - São Paulo 22 de outubro de 1954) - Foi escritor, ensaísta, dramaturgo e poeta. Figura central no Modernismo Brasileiro, foi o autor do Manifesto da Poesia Pau-Brasil e do Manifesto Antropofágico. Publicou em poesia: Pau-Brasil (1926), Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade (1927), Cânticos dos Pânticos da Flauta e Violão (1945), O Escaravelho de Ouro (1945), O Cavalo Azul (1947) e Manhã (1947).
Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
José Oswald de Sousa de Andrade Nogueira (São Paulo 11 de janeiro de 1890 - São Paulo 22 de outubro de 1954) - Foi escritor, ensaísta, dramaturgo e poeta. Figura central no Modernismo Brasileiro, foi o autor do Manifesto da Poesia Pau-Brasil e do Manifesto Antropofágico. Publicou em poesia: Pau-Brasil (1926), Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade (1927), Cânticos dos Pânticos da Flauta e Violão (1945), O Escaravelho de Ouro (1945), O Cavalo Azul (1947) e Manhã (1947).
segunda-feira, 26 de abril de 2010
0 comentáriosEncontro Estadual do PT
No último sábado(24) o PT realizou Encontro Estadual para dar início a discussão de sua tática/estratégia eleitoral e política de alianças. De forma inédita a Executiva Estadual apresentou um documento de consenso. Ao final esse documento, enriquecido por adendos advindos do debate entre mais de 200 delegados, foi aprovado por aclamação. É o PT demonstrando através de sua unidade o grau de maturidade e senso de responsabilidade. Vejam abaixo o documento final.
Tática Eleitoral e Política de Alianças do PT Sergipe
O Centro da nossa tática combina três tarefas:
I - Eleger a companheira Dilma Roussef – defendendo as conquistas dos dois mandatos do Governo Lula e, a partir de 2011, realizando as mudanças com mais profundidade e rapidez;
II - Reeleger o Governo Déda – com o objetivo de realizar um segundo mandato superior ao primeiro e;
III - Ampliar o protagonismo do PT – um partido que tem como horizonte o socialismo democrático precisa combinar construção partidária, luta institucional e luta social.
1. Nosso sucesso exigirá uma estratégica política capaz de promover o mais elevado grau de unidade interna e mobilização associada à formação e capacitação da nossa militância para que o debate sobre o nosso projeto possa ser feito nas ruas e para que sejamos capazes de superar os padrões de despolitização que a oposição vai tentar imprimir à sucessão estadual. A centralidade da reeleição do companheiro Déda deve orientar todos os movimentos políticos do PT.
2. O PT se construiu, cresceu e adquiriu força porque soube captar os anseios por igualdade e justiça social, lutou por eles ao lado dos movimentos sociais, sindicais e populares e elaborou um projeto político transformador para o Brasil, apesar do avanço da hegemonia neoliberal dos anos 90. Construído a partir de experiências nos parlamentos, na gestão do Poder Executivo em municípios e estados, na atuação nos movimentos sindical e popular, foi este projeto que levou Lula à Presidência da República em 2002 e em Sergipe garantiu a nossa vitória com Déda em 2006.
3. O Governo Lula está mudando substancialmente o Brasil e a vida dos brasileiros. Essa transformação é reconhecida pela população que manifesta nos índices de aprovação ao nosso governo e à atuação do nosso presidente Lula seu apoio e entusiasmo. A redução das desigualdades social e regional, a recuperação da capacidade do Estado nacional, a retomada do planejamento da infra-estrutura e o novo papel do Brasil no cenário mundial são alguns elementos dessa aprovação popular.
4. Da mesma forma em Sergipe o nosso governo liderado pelo companheiro Marcelo Déda, produz mudanças importantes visando estabelecer uma nova relação entre o poder público e a sociedade, incorporando novos valores como a participação social, políticas públicas afirmativas na área de juventude, gênero, raça e pessoas com deficiência, recuperando a máquina estatal para atender melhor uma política de inversão de prioridades onde os menos favorecidos tenham uma maior e melhor atenção do estado, valorizando o planejamento e criando uma infraestrutura capaz de alavancar o desenvolvimento de forma perene e sustentável e ao mesmo tempo garantindo avanços significativos na área social.
5. Aqui em Sergipe também a disputa eleitoral de 2010 será polarizada entre dois projetos distintos.
6. De um lado, a direita conservadora patrimonialista e anacrônica representada pelo DEM, PSDB e seus aliados, derrotados em 2006.
7. De outro, o projeto democrático popular liderado por nosso partido e implementado pelo nosso governo, limitado ainda pela herança recebida de governos conservadores, têm implementado medidas que geraram crescimento, infra-estrutura, desenvolvimento social, milhares de empregos, redução da pobreza e da desigualdade. Somos os que retomamos a esperança e a convicção de que Sergipe trilha o do desenvolvimento com distribuição de renda.
8. O ano de 2010 pode significar o prosseguimento do caminho aberto pelo nosso governo, ou a volta a um passado de uso do patrimônio público, falta de zelo com o erário e sucateamento do estado. A continuidade do nosso projeto está vinculada à nossa capacidade de fortalecer um bloco de centro esquerda e progressista, liderado pelo PT, cujo pólo hegemônico se sustenta nos movimentos sociais, intelectuais, trabalhadores, juventude e setores médios comprometidos com o projeto de desenvolvimento implementado pelo governo Déda.
9. Assim, na chapa majoritária o PT indicará o companheiro Marcelo Déda como candidato a reeleição e recomenda que na sua composição estejam representados os partidos de maior densidade eleitoral e representatividade política.
10. Este Encontro delega à Comissão Executiva Estadual a tarefa de compor uma Coordenação de Programa, objetivando construir um balanço do governo petista e formular o Programa de Governo para o novo período dentro de uma perspectiva de continuidade ativa que busca fazer do segundo governo do PT em Sergipe um governo capaz de preservar as indiscutíveis conquistas políticas, sociais e administrativas do período 2007 /2010, e de propor novos avanços, superando obstáculos e consolidando um governo de nítido compromisso democrático e popular.
11. Na complexa montagem das alianças, o PT deverá levar em conta o
objetivo de ampliar suas bancadas na Câmara de Deputados e na Assembléia Legislativa, pois o futuro governo necessitará, para implementar seu programa, de apoio parlamentar mais afinado com seu projeto em Sergipe e em âmbito nacional.
12. Para que tenhamos sucesso nessa disputa de projetos antagônicos o PT deverá constituir uma forte frente de partidos comprometidos com o nosso programa.
13. Nessa mesma direção consideramos fundamental uma repactuação da nossa aliança histórica e estratégica com os movimentos sociais, plantado em novas bases, que venha representar um novo momento na relação governo x sociedade civil organizada, baseada no diálogo e no respeito recíprocos.
14. Sabemos que não basta chegar ao governo para mudar a sociedade. É necessário também mudar a sociedade para que ela sustente, implemente, acelere, radicalize as transformações. Portanto para o PT continua imprescindível a combinação da luta institucional com a luta social, para acumular forças e construir o socialismo democrático.
EXECUTIVA ESTADUAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES
quinta-feira, 15 de abril de 2010
0 comentáriosBrasil tem recorde de empregos no primeiro trimestre
O saldo até março somou 657.259 novos empregos, segundo dados do Ministério do Trabalho. Em março, foram criadas 266.415 vagas -- recorde para o mês
Fonte: Folha Online
Fonte: Folha Online
Assinar:
Postagens (Atom)
